Lugares são extensões de estado de espírito, ou vice versa, tanto faz.
Lembro-me das conversas demoradas com Filipe Brandão na pastelaria Vovó Chiquinha e de como aquele clima exalado pelo ambiente conversava com meus sentimentos da época.
Lembro-me também do cooper na orla da Lagoa do Boa Vista em dia nublado, seja ao entardecer ou às 6:30 da matina. O cansaço tomava contada das minhas angústias nesta época. Bons tempos.
Lembro-me das conversas demoradas no portão da minha primeira casa com Filipe, falando sobre coisas da vida, sonhos musicais expectativas tangentes à relacionamentos.
Lembro-me das conversas e dos vídeos assistidos no PC com a Nayara … bons tempos aqueles... Das idas ao “bairro” para ensaiar com o Escravos do Céu, 99,78% delas de bicicleta. Bons tempos...
Nostalgia...
As novidades trazem consigo a euforia da descoberta, mas para as pessoas menos desprendidas como eu trazem insegurança.
- Um shopping é só um shopping Jefferson!
- Eu sei mas é que...
- Mas é que nada! E outra, vai ser super bacana! Vamos?
- É que eu tava a fim de ficar aqui mesmo, só trocando ideia de boa...
- Ah... é sempre assim, toda vez! A gente tem que fazer alguma coisa diferente, e tá todo mundo lá, deve tá “mó” animado!
- Ah … pode ir, to a fim de ficar de boa...
- Ah … beleza, vou insistir não.
- Ok. Falô!
- Tchau.
Meu primeiro contato com esta edificação faraônica foi com um telefonema da Nayara, onde a mesma me disse ter ido nos dois últimos dias no Shopping Sete Lagoas – detalhe: havia três dias que o mesmo havia sido inaugurado. Logo pensei: “Sujou!”
Depois disso ao retornar para minha cidade natal, descobri de uma maneira não muito agradável que em virtude da inauguração deste “templo do desfazer”, algumas linhas de ônibus sofreram modificações em seu itinerário, e por trágica coincidência a linha que eu pegara estava inclusa nesta lista. Fui parar na temida construção. Ridiculamente aclamada pelos nativos da região, todos eufóricos ao adentrar aquele local.
Sondei uma provável “saída” com a Nayara, mas a mesma já iria para “aquele lugar” (como diz minha mãe, coisa ruim não se deve nem falar o nome) com a mãe dela. Tudo bem, pensei eu, pelo menos ela não sugeriu que fossemos lá... é um programa em família.
Posteriormente, deparei-me com as visitas àquele ambiente da minha irmã e minha mãe, consecutivamente. E também um convite do Filipe Brandão para que fosse com ele, pois o mesmo deveria realizar um trabalho para a faculdade sobre aquele antro de perdição capitalista.
Espero que todo esse exagero meu seja apenas exagero, fruto da minha contemplabilidade das coisas. E que os “programas de índio” continuem ainda sendo a opção principal de diversão para mim e para os que estão ao meu redor.