- Eu sou de esquerda.
Esta frase, nos últimos tempos, vem se tornando uma espécie de atestado de bons antecedentes. É como se pelo simples fato de inclinar-se ao discurso “petista”, ou pelo fato de admirar as palavras revolucionarias proferidas à época de Che Guevara, o caráter de uma pessoa fosse intocável, inquestionável. E o mais incrível é que existe uma empatia por parte daqueles que recebem alguém que se identifique pertencente a tal vertente política.
Isso talvez seja uma forma de inserção social, um meio pelo qual a sociedade se redime de todo um universo de exclusões. Contraditoriamente as mesmas pessoas que louvam aqueles que são de esquerda, são aquelas que não se importam com alguns fatos antagônicos a essa aceitação.
Ninguém percebe a posição, quase que padronizada, das maçanetas nas portas, uma espécie de simbologia ante as dificuldades de acesso as decisões políticas sofridas pelos esquerdistas, exigindo destes uma conduta revoltosa, com foices, machados e armas na mão, tudo com o intuito de arrombar a porta, em fim, destruir a maçaneta no lado errado da porta.
E no trânsito? Por que será que a preferência, como diz as regras, é sempre da direita? Talvez seja uma forma de deixar bem claro que os esquerdistas têm o livre direito de ir e vir, desde que não cruze com o caminho daqueles que vem da direita.
E o melhor amigo? Aquele que você pode confiar cegamente. Seria ele o seu braço esquerdo? Não. [...] Mais uma vez aqueles de esquerda seriam colocados em uma posição a se desconfiar; não confie no seu braço esquerdo.
No fim restará o consolo de que essa admiração oculta àqueles de esquerda remonta à condições biológicas:
- Ora, de que lado mesmo está o coração?